terça-feira, 28 de agosto de 2012

O Despertar




Vejo tanta barbárie
E nem sequer mais me assusto
(Isso me assusta)
Miro várias paisagens
E em nenhuma há refúgio

Não há passagens visíveis.
E para alguns, não há limites...
E então, há quem duvide:
É cabível nutrir esperança?
É possível alimentar nossas crianças?
 
Sim, mas precisaremos resgatar a justiça
Necessitaremos juntar nossos restos
de sonho e luta despedaçados
e nos colocarmos na linha de batalha
Sabemos que há quem não valha
a nossa luta, mas mudemos de lado!
Temos seres alados dispostos a nos auxiliar

Pensemos:
Onde foram parar os honestos?
Onde moram os corretos?
Qual o rumo certo?

Por ora só vejo desertos
Avisto sombras e a previsão é de chuva forte
E já não sobra muita reza
(que sozinha não venceu a guerra)
E aquele que despreza a fome
Que profere de Deus o nome
sem entender o significado real do amor
Não pode ser comandante do nosso torpor
Acordemos, pois é chegada a hora!
Ou... talvez, outra vez, jogaremos tudo fora.
 

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Figurante Fulgurante















As fulguras duma alma sedenta por enlevo
Não se enquadram nos pálidos textos molhados
de lágrimas e maus costumes

Dilúvios passageiros de paixão
Não inebriam o que há por dentro
senão o externo, o extremo

Entendimentos parcos e raros
anuviam as mentes torpes e tontas
que já não pensam, já não percebem

Esquecimentos tantos e tansos
aniquilam o que se chamaria entendimento
e já não lembram, e já não sabem, e já não podem
ser quem eram
saber o que querem
entender o que quer que seja

Originalmente publicado em www.viapalhoca.com.br/article/detail.php?id=5135

sábado, 23 de junho de 2012

Emaranhados


Essa vontade de devorar a vida
de curar feridas
de correr nua
de colher frutas e bons resultados
de escolher ruas e cavalos alados
para correr por aí e por aqui
parece agora tão boba

Todos me têm feito parecer tolo
com meus sonhos e desejos viscerais

Bolos de festa sem confeito,
frases lindas, mas sem efeito
contos de fada com muito defeito
Assim têm sido as receitas seguidas

Emaranhados não desfeitos
vão se acumulando nas teias do pensamento
e, por um momento, me pergunto: quem me entende?
Embaraçados os conceitos
vão se contorcendo, confundindo sentimentos
e, noutro momento, me pergunto: sou eu quem mente?

Poema Publicado Originalmente em www.viapalhoca.com.br

domingo, 20 de maio de 2012

Doces Sonhos




Como encontrar entre tantos sonhos
Algo menos real, menos enfadonho
Se tudo o que tenho, temo
E tudo o que quero, perco?

Como entornar o caldo ralo da vida
se todos os calos e feridas
se mesclam aos lampejos
de desejos prostrados
entre um ressonar
e outro?

Ouros e pratas não me encantam
Louros e fama não me agigantam

Almejo o simples e belo
Talvez bonecos de nuvem, uns caramelos
Guloseimas a lambuzar-me a boca e alma
Doçuras espalhando-se por dentro e fora de mim
Quisera ser este o meu imaginário e solitário doce fim

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Eparrei



Não sei, mas acho que preciso de mais
Ou, quem sabe, preciso demais (?)
Talvez precise só estar só
ou quem sabe precise só
de um banho de mar
ou um de cachoeira
Um banho de amor
Um bocado de amor pra aquecer um coração cambaleante
pra reconfortar um sentimento tão errante, uma canção tão desconcertante
ideias tão cortantes quanto os relâmpagos das madrugadas regidas por Iansã

E falando Nela, preciso sim é de sua Força
Seus Chicotes, Erechins e Ventanias
Serão meus guias
neste novo caminhar

Seus ventos que me joguem em novas estradas
que me empurrem a novas entradas
que me enlevem e levem ao céu

Meus medos, Ela dissipe com seus raios
Seus raios iluminem os segredos da vida
Minha vida esteja sempre à luz de Sua espada

sábado, 7 de abril de 2012

O Não-Escritor

                                              

Poeta não é escritor mesmo.
Poeta mói.
Mói e corrói o que dói na alma inquieta do povo.

Poeta não escreve.
Poeta põe.
Põe em ordem as ideias – bagunçando-as.

Poeta não descreve.
Poeta rompe.
Rompe com os conceitos rotos do tradicionalismo linguístico.

Poeta não transcreve.
Poeta interrompe.
Interrompe o jeito velho e cansado de sentir e pensar e repetir.

Poeta não prescreve.
Poeta vive.
Vive nos que vivem de amor, e natureza, e qualquer coisa que seja poesia.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Gaiola


Onde está minha alegria?
Onde foi parar a luz do dia?
Onde se impregnou a agonia,
que não vejo, mas sinto
que não conto, mas minto
que não entendo, mas pinto
na tela, na teia cheia da vida bordada à mão

Onde está minha ousadia?
Onde foi começar a mordomia?
Onde se impregnou minha apatia,
que não quis, mas expus
que não projetei, mas reluz
eu não almejei, mas jamais pus
para dentro da gaveta e chaveei com vigor

Tateando pelos cantos da casa e do coração
na esperança de encontrar alguma solução
concluí não haverem fórmulas mágicas
capazes de amornar o desejo de ser

Tatuando mandalas por todo o meu corpo
na esperança de registrar alguma  emoção
concluí não haverem símbolos mágicos
capazes de tornar indelével o querer