quarta-feira, 28 de março de 2012

Verdadeiras Peles



Adoro andar nua
Adoro andar

Me sinto um pouco como a lua
E em minhas fases,
tenho faces diversas
Todas elas, verdadeiras

Adoro andar nua
Adoro amar

Me sinto curadora quando amo
E em minhas peles
conforto e confronto-me
Todas elas, tão verdadeiras

Adoro andar nua
Adoro olhar

Me sinto imperadora ao mirar
E em meus olhares
Percebo e mostro-me
Tantas visões, são verdadeiras

Adoro andar nua
Adoro nadar

Me sinto mergulhadora nata
E em meus naufrágios
Encontro e perco-me
Tantos tesouros;são verdadeiros

quinta-feira, 22 de março de 2012

Até Perceber


E fui me falando e me repetindo
Até perceber: cadê o encanto?

E fui me perdendo, esfacelando
Até perceber: onde fui parar?

E fui me enojando, embotando
Até perceber: cadê a luz?

E fui me entendendo, empenhando
Até perceber: foi preciso.

E fui me negando, ocultando
Até perceber: saudades de mim

E fui me buscando, tentando
Até perceber: nunca deixei de ser

E fui me alegrando, amando
Até perceber: sou eu comigo!

E fui caminhando, esvoaçando
Até perceber: só sou, só eu sei.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Montada




Vesti meu trajezinho básico e me pus a correr pela cidade
Precisava romper com meus velhos conceitos enjaulados
em um coração já tão fatigado e castigado e mastigado
Sentia que necessitava absorver uns novos jeitos de ser
Ansiava por intensidades e arrebatamentos, novidades

Passei em frente a vitrines
Só vi colares e outras futilidades
Passei em meio a limusines
Só vi má intenção e frivolidades

Vesti minha máscara para não assustar os transeuntes
E sustentei o belo sorriso maquiado como os olhos pintados
Verti lágrimas para dentro para não causar sustos, desconfortos
Parti para cima de um salto para atravessar a rua e os confrontos

Passei desta para uma melhor
Só vi uns poucos ao meu redor
Passei a rir das migalhas ofertadas
Só vi desculpas sujas, esfarrapadas

sexta-feira, 9 de março de 2012

Areia


Não me apertes tanto
que posso escorrer por entre teus dedos
Não há o que temeres
Para ti só tenho carinhos, jamais segredos

Não me digas quem sou
Venho tentando compreender desde que nasci
Não me digas para onde vou
Ventos distintos me mostram onde posso seguir

Malas Prontas



Estou de portas abertas. De malas prontas
Com a cabeça tonta e o coração cheio
O corpo vazio, sem teu cheiro aqui
O copo vazio, sem teu gosto aqui
Sem teu toque, teu gozo
Sem teu jogo perigoso
de olhares e palavras
Sem enredos
Sem medos
Segredos

quinta-feira, 8 de março de 2012

Nova MULHER


O Sagrado Feminino habita em nós, mulheres, desde o instante em que somos geradas, desde quando a primeira centelha de vida vem habitar o corpo terreno, ainda no ventre de nossa mãe.
Ao enxergarmos a luz da Grande Mãe (Terra) nossa visão sutil é ofuscada e calada pelas vozes deste mundo feroz.

Em nosso caminhar por Aqui, vão-nos apagando as intuições, pedindo-nos que esqueçamos nossa essência, que abafemos nossa voz, que sufoquemos nossa liberdade de ser.

 E então a mulher deixa de vivenciar sua totalidade para ser, quem sabe, um protótipo de homem frágil, uma vez que aquele outro tipo de força que habita o masculino, não abunda em nós.

Então, suplico: ACORDE, mulher!

Seja mulher, não ignore o que queres, o que és. Alegre-se, perfume-se, anime-se! Celebre a vida. Dance para a Lua, consagre as águas e o céu de estrelas. Permita que tua alma dance no ritmo das ondas mágicas do grande mar da vida. Perceba que tens todos os dons e talentos das deusas que te antecederam, e que te habitam.

Habitue-se a ouvir-se. Treine seu canto. Distribua seus encantos por todos os cantos. Solte suas asas, permita-se voar por cima dos erros, das limitações dos graves julgamentos que de ti foram feitos. Sutilize as emoções, compreenda as intenções que vão por detrás de um sorriso amargo ou doce. Dose palavras, silencie. Surpreenda os demais, mas mais que a eles, traga surpresas a ti! Traga à tona a beleza de seres tu. Tudo em ti é teu. Tudo em ti é luz. Então vibre. Então ilumine.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Agora

Nada será como antes 
Se éramos sós e errantes,
somos agora uno e amantes

Nada será como ontem
Se os dias eram feios e frios
São agora mais que inebriantes

Nada será como pensávamos
Se os sonhos eram opacos, doloridos
São agora reais e recheados e coloridos

Nada será - pois que agora já somos

Se éramos perdidos caminhantes
Somos agora senhor e senhora

Somos donos do destino
Somos como o inocente
Homem
Menino
Mulher

Contentes,
Desatamos nós e correntes
E já não somos impotentes
diante da vida
E já não somos viventes
SOMOS FELIZES