quarta-feira, 27 de abril de 2011

A Vida Te Acha

Não adianta se esconder, a vida te acha

Nem adianta sorrir, todos sabem que vens daqui, que sais dali

Os enganos a que te forças, não são os que te movem para frente

Olhe teus pés, estás no mar, de onde vêm tuas raízes

A luz que reluz da lua, não é a mesma que brilha no teus olhos

mas é certamente a que te dá o toque suave, a força intensa

Não tenhas a pretensa idéia de que tudo resolverás

que todo mal se dissipará ao primeiro sopro

Mas se o mal nem se formar, não haverá tanto a se resolver

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Luz de Ogum

 
 
És meu exemplo de luta, em tua força me inspiro
Sob a tua capa me protejo, mas jamais me escondo
Guiada por tua forte luz
sinto-me acolhida, abrigada,fortalecida
Encorajada, cavalgo contigo em tua garupa
rumo a estradas desconhecidas, mas sempre seguras
rumo à felicidade escondida, mas sempre por ti desvendada
Tua fibra e garra me lembram: não há o que temer!
Nosso exército é de amor, temos a bandeira mais sagrada
Tenho a inabalável fé na tua espada, nas graças alcançadas
No teu escudo eu confio,
por teus passos eu me guio
em teus braços,meu destino
Nenhum desatino há de me acometer
Sei que estarás sempre aqui para me proteger

terça-feira, 19 de abril de 2011

Filhos da Terra




Este é meu povo
Daí vem meu sangue
Nem palanques, nem ouros
mudariam meu discurso
Sei quem são, sei quem sou,
não mudo meu percurso
Existem histórias mil,
mas bem sabemos quem são os pais desse Brasil
quem são as mães desta pátria bem e nem tão gentil

quem vive as verdades da terra
quem entende que vive cada planta
que com cada animal se encanta
que com todo mineral se fortalece
que com cada tempestade se engrandece
quem todo dia dança, ora e canta
quem com seus cânticos atinge a fé
quem com suas lendas espalha história,
quem tenta não apagar da memória de seu povo
de onde se veio, para onde se vai

Que a Mãe Terra nos acolha
Que a Mãe Terra nos perdoe

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Amores(?) Atuais



Cadê a graça dessa gente?
Cadê a verdade de quem mente?
Já não suporto tanta deslealdade
tanta falta de inteireza
tanta luz acesa
e nenhuma idéia em mente
nenhum sentimento eloqüente
nenhuma voz – macia ou rouca
sequer alguma paz – veloz ou pouca

Tudo é tão previsível
Tão igual e cansativo
Nada parece insuperável
e qualquer coisa é questionável

Sabe-se truques de conquista
Peripécias sexuais
Dicas de revista – muito bem decoradas
E o que mais?

Onde está a graça nisso tudo?
Olho esse povo todo, essa multidão e não me vejo fazendo parte desse grupo
Sinto-me como uma garota virgem prestes a ser violentada, é sim: um estupro!
Violentada em suas crenças, em sua fé numa sociedade estranha
Violentada nos sonhos, nos desejos...
Meus ideais, valores e sentimentos não valem nada?
Sou eu então que estou errada?
Devo vestir o que todos usam?
Pensar o que me pedem?
Ignorar o que fingem?
Perdoar o que fazem?
Entender o que querem?
Desamar no mesmo dia da deitada?

Lamento se os decepciono, mas essa não seria eu
Seria uma sereia sem mar,
um bêbado sem bar
uma palavra solta nos lábios 
sem qualquer sentido, sem direção
sem intenção de ser o que quer que fosse

E, desculpem-me os descrentes,
mas eu ainda tenho intenções
de ser
de ver
de crer
É, acredito, apesar dos senões
que algo valha à pena!
que talvez eu possa...
que algo mude,
que o mundo gire
que o mundo vire um lugar melhor
Nem que, para isso, eu tenha que mudar de mundo

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Pensou Errado, Meu Bem


Pensavas mesmo que sairias ileso a mim?
Achavas que nosso caso seria assim,
uma fatia de pudim-de-leite
após um almoço de família no domingo?
Ah, meu bem, ledo engano!
Nem choramingo, nem me lamento, mas eu sempre tento
Há os tontos, que fogem. Os medrosos, que correm
E há a minha entrega, que sempre é inteira.
Cheguei sorrateira, e da mesma forma escapei
Sem um pingo de decência invadi tua intimidade
Sem pudor, entrei em ti
Em teus segredos
Em teus medos
Em teus gostos
Em traumas
Não, não tive calma
Isso é mau?
Ser radical?

Sendo ou não, sou essa
Sempre com pressa
não de mostrar
nem de ocultar
não de ser mais
nem de ser menos
só de ser eu em toda minha plenitude

Ao que (me) parece
teu aparente desinteresse
cedeu espaço à saudade
Pena que esse intervalo
fez com que nascessem e sumissem coisas
Formou-se uma espessa geleira
coisinhas gostosas foram parar na geladeira
Criei uma estante para os livros já lidos e relidos
estoquei os sentimentos lindos que pareciam fora de moda
aos teus olhos bem treinados e conhecedores dessa coisa toda

Sobraram os desejos,
memórias dumas cenas agradáveis,
meia dúzia de lembranças bonitinhas.
Guerra de bolinhas de papel
Bolinhos de chuva fim de tarde
Massagem nos pés após o longo passeio
Mensagens de amor e galanteios em bilhetes
Botões de rosa, bouquets e ramalhetes
ou flores roubadas dos jardins alheios

Restaram algumas cartas mofadas
Umas almofadas pelo chão da sala
(aquelas que bordei pra ti e deixaste aqui)
Um vinho seco esquecido naquela caixa velha
(que deixo próxima à janela do meu quarto)
Um licor de cereja, uma fita cassete, um copo trincado
e uma vela vermelha que a cigana te deu naquela última consulta
Nnunca acendeste...
Esqueceste?
Acho que nunca acreditaste nela,não é?
terá sido por isso que estamos assim, resumidos a pó?

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Livre de Ti

'Há quem duvide que meu peito de ti anda vazio
Pouco me importa!
Sei que quando saíste por aquela porta, o frio me tomou
Mas isso era antes, isso foi ontem
E se o que tenho é o agora, e o agora já é hoje...

Nalguns momentos me sinto como morta,
alguém que acorda por alguns minutos e depois volta ao sono eterno’

Aborta amores ainda no ventre
Sim, dorme amando
acorda sem saber o nome do precioso homem
Tanto faz se dormindo sozinha ou acompanhada
acorda suada e se debate em meio a pesadelos
Habituada, prefere os maus aos doces sonhos
Já não sabe se é defesa
Se é tristeza abafada
Se é aquela tal música não tocada
Mas sabe, ah se sabe, não é imaculada
É vivida, é sentida, é toda uma vida de possibilidades
É mulher de uma noite. Uma noite bem vivida.
Habita sonhos e pesadelos, sim
Faz morada nos sons mais nobres
Se infiltra nos sabores, nas cores
em uma cama
em uma vida
Ou quem sabe um só dia
ou nem isso
talvez um momento, só isso...

Talvez goste mesmo é do reboliço
do barco balançando agitado em noite de tempestade
nó no céu, nenhum colorido
Talvez goste mesmo é da partida
do parto dolorido, 
do ferido,
do homem perdido que ela possa fazer se achar

Provas! Aprovas?




Experimentas moças e bocas
Moças boas
e nem tanto

Experimentas
Sambas e tangos
Por que esqueces as marchas?
Carnaval ou é completo,
ou que nem seja!

Bambas e tansos
se misturam à multidão
Como saber quem achas?
Se o rebolado não for repleto
de gingado, que tu nem vejas!
Se não for um bom som de boteco
se não tiver uma boa cerveja,
se não for caipirinha de chacaça,
acho melhor nem entrar nessa!

Te embalas,
Sentes o balanço
Mares e lagos te tomam
Dos mares com onda
onde vês a espuma espessa
derramas o que te restou de tristeza
Nos bares da moda
onde desfilam, para ti, corpos de condessas
choras, debruçado sobre a mesa
e te pões a lembrar de mim

Sei como és,
quebras louças
arrebentas as bolsas
de Nova York e Tóquio
e também aquela que compraste para mim no camelô do centro da cidade

Conheço teus pés
tuas idéias loucas
tua cabeça dura,
tuas agruras,
tua voz macia,
tuas palavras doces
teu gingado de malandro
teus charmosos enganos

Perdôo tuas mentiras de Pinóquio,
porque mesmo sempre dada a verdades,
nasci familiarizada a historinhas bem contadas
Gepeto me ensinou que amor é incondicional
Que ninguém sabe onde reside o bem, se existe mal

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Indo e Vindo



Vindo
Indo
Indo e vindo
Rindo
Rindo e chorando
Olhando o chão
Molhando o colchão
com lágrimas de amor
Secando o pranto
Apagando as marcas, as manchas,
As pegadas das marchas vãs

Nada é eterno
Não que eu seja moderno
Não que eu preze o descartável das relações
Mas é preciso mais que novas emoções
para eu mudar o rumo
para eu sair do prumo

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Boquita Cerrada


Para bom entendedor, meia palavra basta
Para um exímio entendedor, nenhuma palavra cala
Para o ótimo entendedor, meia palavra lacra

As meias palavras dizem pouco, mas talvez o suficiente

Para bom entendedor, a palavra não dita não basta
Para o ótimo entendedor, a palavra silenciada rasga
Para um exímio entendedor,a palavra negligenciada massacra

As palavras não ditas, dizem mais
Dizem que nada há a ser dito
ou que o pouco que há, já não tem sentido

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Limo



Tudo que via era limo sobre as pedras...

Pus no limbo o meu limo
Mantive as pedras
Estão lisas e limpas
Lindas!

Criei asas.
Asas leves e lépidas

Tudo novo
Mudo
de lugar
de postura
de sonho
de busca
de ânsia

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Enigmas




Chega de enigma
Pra que provar o que nem sabes se és?
Insígnias não me comovem
Palavras não me seduzem
Os efeitos do olhar produzem um resultado muito mais avassalador
as manhas dum bom carinho abrem caminhos que nem as tuas mandingas teriam coragem de competir
Saiba: as destrezas do chamego dão vazão a um mar de possibilidades em mim
e elas me fariam te mostrar tantas alternativas para uma, duas ou várias histórias tão alegres!
Não tem nada de inventada, nada inventiva a minha felicidade!
É construída, suada. Batalhada, sim, senhor!
Acaso pensas que foi com especulações que me tornei perspicaz? Foi indo fundo, meu amor. Fui indo e indo, até descobrir o que podia, até onde ia a tal ponte que eu avistava desde sempre.
Ah, não me diga que supunhas ser através de melindres que houvera encontrado meus prazeres? Conheci-os mergulhando neles!
Cada pedaço de mim, cada parcela das minhas tentativas – ainda que algumas parecessem absolutamente vãs – me trouxeram de volta a frente do meu espelho
E agora me apareces aqui, de joelhos, tentando entender de mim o que sequer sabes de ti
Por favor, olha-te

Chega de fingir para ti mesmo
Pra que abafar as vozes de teu peito, calar teus lábios e só usar teus pés?
Melodias que não ouves não te farão cantar
Arredias armadilhas, silêncios profundos não te farão amar
Os efeitos de uma vida trancada em si, não são nada além de solidão.
É só um estranho que não sabe com quem convive. Acha que vive só, até notar que o ser ao lado lhe mostra tanto de si, tanto se parece consigo, que esse outro é mais ele do que ele mesmo.
‘E como então não percebi que somos então espelhos uns dos outros’, se pergunta.
‘Para que tantas fugas, se todo tempo eu estou comigo? De mim não fujo’
E nota então que quanto mais depressa corre, mais o desespero lhe toma
Compreende que nem o rio mais caudaloso enche um deserto interno

terça-feira, 5 de abril de 2011

Por que da Farsa?


Se tem Lenine, se tem Martini, se tem comparsa, por que da farsa?
Se tudo passa, se nada dura, por que perdura o falatório?
Se há verdade, se há saudade, por que há dor?

E tem quem faça Amor
E tem quem sinta ódio
E tem quem cause náusea

Caso esbarre na comédia
Caso dance com o assombro
Caso lace o tombo na rédea curta

Sinta bem gostoso o gosto, o gozo da chuva
Sinta a água escorrendo na cara, na nuca
Sinta o suor pingando na curva

E me culpa, se quiser
E me alcance, se puder

sábado, 2 de abril de 2011

Mais que o Céu


De abstrato, já tenho o prometido céu
Não quero nada de papel
Não quero TV, nem PC
Quero o presencial
Cansei de músicas e poemas
Cansei de medos e dilemas
Quero o visceral

Anseio por tudo o que tenho direito
Percebo que tudo aquilo que tenho feito
só tem me afastado do que de fato mereço

Penteio os cabelos em frente ao espelho
e vejo o reflexo de um rosto cansado de desentender
percebo um olhar desanimado e incrédulo
noto um ombro pesado
Um sorriso frouxo arrisca sair de meus lábios
mas engolido pelas lágrimas, desiste de vingar

Então me ponho a rezar e depois gargalhar duma história tão patética
E ainda que me chamem de intensa, de maravilhosa e de poética
O que sinto é absolutamente incoerente com o que de mim se diz
O que tenho são lembranças duma ou outra cena feliz
que teimam em passear pela minha memória fingindo-se de história de amor
mas por favor, quem não vê que tudo não passa de fantasia barata?
Ilusões que me custaram caro ...
fantasiadas de sentimentos raros
Iludida por rostos comuns, palavras triviais, ideais banais?
Que coisa de principiante!
Quem vê já não é uma antiga errante
que diante de carinhas comuns já aprendeu o que falar,como lidar
Quem vê ainda é aquela menina diante de seu primeiro amante

Já não chora, porque aprendeu que lágrimas não secam dor senão para iludir
Já não ora, porque aprendeu que páginas viradas Deus não costuma acudir