sexta-feira, 29 de julho de 2011

E Então



E então fiquei ali
Esperando alguma resposta me acudir
Alguma ideia surgir
Um motivo para sorrir

E então eu percebi
Alguma coisa a me impedir
Esperando as horas por vir
Uma verdade a me mentir

E então pensei fugir
Um assombro a me invadir
Alguma sobra me fez grunhir
Esperando a dor sarar, partir

E a partir dali
Não fui mais mártir
Fui parte               
do grande todo
Fui toda
em partes
mas não tarde
para lutar por mim
E vi que não arde
se soprar com carinho
se mostrar o caminho
se gostar
se sonhar
se gozar
se sondar
o destino com fé
O menino,
chamado também
de Axé

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Silencioso



Bebo da velha e boa fonte
Miro o conhecido horizonte
Cedo às manhas dos teus lábios
Tarde demais para fugir dos pálidos
medos, frageisinhos diante do sonho
que é grande, que é forte e medonho
de grande
Inquietante,
Mesmo quietinho
E com aquele jeitinho
Veio bem de mansinho
ganhando mais e mais espaço
fazendo menos barulho, menos estardalhaço
e nem por isso me deixando lembrar do cansaço
que dá amar
que faz falar
o que se sente ou não
o que se pede em vão
o que se busca
o que não se ofusca

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Um Puto




Tentei recolocar teu valor
Talvez o que nunca tiveste
Reconsiderar
Reavaliar
Te dar um espaço
Te mostrar um pedaço
do que poderia vir a ser
do que tens para crescer
do chão que tens a percorrer
do não que um dia vais entender

Tentei te apreciar por um momento
mas lembrei a tempo
quem eras tu
O mesmo maldito
O mesmo bandido
de tempos atrás
Mesmo voraz,
não anda depressa
Represa emoções
Repensa intenções
sem pressa
sem peça composta
sem graça
sem massa muscular
sem dito popular
sem mito
sem pito
um puto
sem um puto

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Transborda



Há dias
em que sinto tanta emoção
que é como se eu própria
fosse um grande coração
Mesmo sóbria,
o que sobra
é devaneio
é um peito cheio
de gratidões e amores
de paixões e sabores
de palpitares
de altares
com belos santos
com beijos e mantos
com lágrimas e prantos
de gente simples e grata como eu
de rostos singelos e viçosos como o teu
de almas sinuosas mas bonitas como a de um falso deus
de caminhantes gargalhantes com fingido dolorido adeus

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Amor Melado



Meio sem meio
Eu tiro do meu recheio
O miolo do teu pão
E tem já um tempão
Que meu pé é doce
E o teu é salgado
Que meu beijo é mole, o teu é melado
Teu gosto é novo, o meu já manjado
Me esperas pro lanche, chego jantado
Te peço cafuné, queres xaxado
Te faço poema, queres versado
Te falo baixo, queres gritado
Te mando flores, me queres?
Coitado
Sou o que sobra de um cabra macho depois duma mulher
Sou o que implora uma chance, um respiro antes do café
Mas queres tudo de mim
Mas quente és mulher
Quente sem fim
E sem começo
Te aquietes!
Veja se pareço
Com um homem que pode ter contigo?
Tenho sim, Tenho noção do perigo
Olhe bem
Veja só
Se te cubro de amor num dia
Noutro falta pó
pro café
Falta leite
O açúcar, o melado
aquilo que seja com que te adoças
o vestido de babado
aquilo que deixa tu a mais das moças

Amor melado
Marmelada
Rio melado
Sertão melado
Eu atropelado!

É muito amor, posso não!

sábado, 2 de julho de 2011

Qual O Lado?


Não são as palavras em si,

mas seu significado
Nunca existiu de fato
o tal do certo
o tal do errado
De que lado
Mora o pecado?