domingo, 1 de maio de 2011

Varal


Olhei aquele céu assim com cara de quem queria chover em mim
E me perguntei o porquê do complô
Tentei estender algo no varal de idéias da minha mente tão cheia de coisa alguma que pudesse ser útil para um ser vivente no atual mundo previsível em que me prenderam
Um cesto de roupas limpas no chão
Um cento de sons presos no colchão
Uma vida inteira presa na garganta e nada que me desse ânimo para soltar a voz
Cada lacuna que havia fazia bem mais sentido oca mesmo
Cada loucura vivida parecia agora qualquer coisa a esmo

quarta-feira, 27 de abril de 2011

A Vida Te Acha

Não adianta se esconder, a vida te acha

Nem adianta sorrir, todos sabem que vens daqui, que sais dali

Os enganos a que te forças, não são os que te movem para frente

Olhe teus pés, estás no mar, de onde vêm tuas raízes

A luz que reluz da lua, não é a mesma que brilha no teus olhos

mas é certamente a que te dá o toque suave, a força intensa

Não tenhas a pretensa idéia de que tudo resolverás

que todo mal se dissipará ao primeiro sopro

Mas se o mal nem se formar, não haverá tanto a se resolver

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Luz de Ogum

 
 
És meu exemplo de luta, em tua força me inspiro
Sob a tua capa me protejo, mas jamais me escondo
Guiada por tua forte luz
sinto-me acolhida, abrigada,fortalecida
Encorajada, cavalgo contigo em tua garupa
rumo a estradas desconhecidas, mas sempre seguras
rumo à felicidade escondida, mas sempre por ti desvendada
Tua fibra e garra me lembram: não há o que temer!
Nosso exército é de amor, temos a bandeira mais sagrada
Tenho a inabalável fé na tua espada, nas graças alcançadas
No teu escudo eu confio,
por teus passos eu me guio
em teus braços,meu destino
Nenhum desatino há de me acometer
Sei que estarás sempre aqui para me proteger

terça-feira, 19 de abril de 2011

Filhos da Terra




Este é meu povo
Daí vem meu sangue
Nem palanques, nem ouros
mudariam meu discurso
Sei quem são, sei quem sou,
não mudo meu percurso
Existem histórias mil,
mas bem sabemos quem são os pais desse Brasil
quem são as mães desta pátria bem e nem tão gentil

quem vive as verdades da terra
quem entende que vive cada planta
que com cada animal se encanta
que com todo mineral se fortalece
que com cada tempestade se engrandece
quem todo dia dança, ora e canta
quem com seus cânticos atinge a fé
quem com suas lendas espalha história,
quem tenta não apagar da memória de seu povo
de onde se veio, para onde se vai

Que a Mãe Terra nos acolha
Que a Mãe Terra nos perdoe

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Amores(?) Atuais



Cadê a graça dessa gente?
Cadê a verdade de quem mente?
Já não suporto tanta deslealdade
tanta falta de inteireza
tanta luz acesa
e nenhuma idéia em mente
nenhum sentimento eloqüente
nenhuma voz – macia ou rouca
sequer alguma paz – veloz ou pouca

Tudo é tão previsível
Tão igual e cansativo
Nada parece insuperável
e qualquer coisa é questionável

Sabe-se truques de conquista
Peripécias sexuais
Dicas de revista – muito bem decoradas
E o que mais?

Onde está a graça nisso tudo?
Olho esse povo todo, essa multidão e não me vejo fazendo parte desse grupo
Sinto-me como uma garota virgem prestes a ser violentada, é sim: um estupro!
Violentada em suas crenças, em sua fé numa sociedade estranha
Violentada nos sonhos, nos desejos...
Meus ideais, valores e sentimentos não valem nada?
Sou eu então que estou errada?
Devo vestir o que todos usam?
Pensar o que me pedem?
Ignorar o que fingem?
Perdoar o que fazem?
Entender o que querem?
Desamar no mesmo dia da deitada?

Lamento se os decepciono, mas essa não seria eu
Seria uma sereia sem mar,
um bêbado sem bar
uma palavra solta nos lábios 
sem qualquer sentido, sem direção
sem intenção de ser o que quer que fosse

E, desculpem-me os descrentes,
mas eu ainda tenho intenções
de ser
de ver
de crer
É, acredito, apesar dos senões
que algo valha à pena!
que talvez eu possa...
que algo mude,
que o mundo gire
que o mundo vire um lugar melhor
Nem que, para isso, eu tenha que mudar de mundo

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Pensou Errado, Meu Bem


Pensavas mesmo que sairias ileso a mim?
Achavas que nosso caso seria assim,
uma fatia de pudim-de-leite
após um almoço de família no domingo?
Ah, meu bem, ledo engano!
Nem choramingo, nem me lamento, mas eu sempre tento
Há os tontos, que fogem. Os medrosos, que correm
E há a minha entrega, que sempre é inteira.
Cheguei sorrateira, e da mesma forma escapei
Sem um pingo de decência invadi tua intimidade
Sem pudor, entrei em ti
Em teus segredos
Em teus medos
Em teus gostos
Em traumas
Não, não tive calma
Isso é mau?
Ser radical?

Sendo ou não, sou essa
Sempre com pressa
não de mostrar
nem de ocultar
não de ser mais
nem de ser menos
só de ser eu em toda minha plenitude

Ao que (me) parece
teu aparente desinteresse
cedeu espaço à saudade
Pena que esse intervalo
fez com que nascessem e sumissem coisas
Formou-se uma espessa geleira
coisinhas gostosas foram parar na geladeira
Criei uma estante para os livros já lidos e relidos
estoquei os sentimentos lindos que pareciam fora de moda
aos teus olhos bem treinados e conhecedores dessa coisa toda

Sobraram os desejos,
memórias dumas cenas agradáveis,
meia dúzia de lembranças bonitinhas.
Guerra de bolinhas de papel
Bolinhos de chuva fim de tarde
Massagem nos pés após o longo passeio
Mensagens de amor e galanteios em bilhetes
Botões de rosa, bouquets e ramalhetes
ou flores roubadas dos jardins alheios

Restaram algumas cartas mofadas
Umas almofadas pelo chão da sala
(aquelas que bordei pra ti e deixaste aqui)
Um vinho seco esquecido naquela caixa velha
(que deixo próxima à janela do meu quarto)
Um licor de cereja, uma fita cassete, um copo trincado
e uma vela vermelha que a cigana te deu naquela última consulta
Nnunca acendeste...
Esqueceste?
Acho que nunca acreditaste nela,não é?
terá sido por isso que estamos assim, resumidos a pó?

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Livre de Ti

'Há quem duvide que meu peito de ti anda vazio
Pouco me importa!
Sei que quando saíste por aquela porta, o frio me tomou
Mas isso era antes, isso foi ontem
E se o que tenho é o agora, e o agora já é hoje...

Nalguns momentos me sinto como morta,
alguém que acorda por alguns minutos e depois volta ao sono eterno’

Aborta amores ainda no ventre
Sim, dorme amando
acorda sem saber o nome do precioso homem
Tanto faz se dormindo sozinha ou acompanhada
acorda suada e se debate em meio a pesadelos
Habituada, prefere os maus aos doces sonhos
Já não sabe se é defesa
Se é tristeza abafada
Se é aquela tal música não tocada
Mas sabe, ah se sabe, não é imaculada
É vivida, é sentida, é toda uma vida de possibilidades
É mulher de uma noite. Uma noite bem vivida.
Habita sonhos e pesadelos, sim
Faz morada nos sons mais nobres
Se infiltra nos sabores, nas cores
em uma cama
em uma vida
Ou quem sabe um só dia
ou nem isso
talvez um momento, só isso...

Talvez goste mesmo é do reboliço
do barco balançando agitado em noite de tempestade
nó no céu, nenhum colorido
Talvez goste mesmo é da partida
do parto dolorido, 
do ferido,
do homem perdido que ela possa fazer se achar