quarta-feira, 13 de abril de 2011

Provas! Aprovas?




Experimentas moças e bocas
Moças boas
e nem tanto

Experimentas
Sambas e tangos
Por que esqueces as marchas?
Carnaval ou é completo,
ou que nem seja!

Bambas e tansos
se misturam à multidão
Como saber quem achas?
Se o rebolado não for repleto
de gingado, que tu nem vejas!
Se não for um bom som de boteco
se não tiver uma boa cerveja,
se não for caipirinha de chacaça,
acho melhor nem entrar nessa!

Te embalas,
Sentes o balanço
Mares e lagos te tomam
Dos mares com onda
onde vês a espuma espessa
derramas o que te restou de tristeza
Nos bares da moda
onde desfilam, para ti, corpos de condessas
choras, debruçado sobre a mesa
e te pões a lembrar de mim

Sei como és,
quebras louças
arrebentas as bolsas
de Nova York e Tóquio
e também aquela que compraste para mim no camelô do centro da cidade

Conheço teus pés
tuas idéias loucas
tua cabeça dura,
tuas agruras,
tua voz macia,
tuas palavras doces
teu gingado de malandro
teus charmosos enganos

Perdôo tuas mentiras de Pinóquio,
porque mesmo sempre dada a verdades,
nasci familiarizada a historinhas bem contadas
Gepeto me ensinou que amor é incondicional
Que ninguém sabe onde reside o bem, se existe mal

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Indo e Vindo



Vindo
Indo
Indo e vindo
Rindo
Rindo e chorando
Olhando o chão
Molhando o colchão
com lágrimas de amor
Secando o pranto
Apagando as marcas, as manchas,
As pegadas das marchas vãs

Nada é eterno
Não que eu seja moderno
Não que eu preze o descartável das relações
Mas é preciso mais que novas emoções
para eu mudar o rumo
para eu sair do prumo

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Boquita Cerrada


Para bom entendedor, meia palavra basta
Para um exímio entendedor, nenhuma palavra cala
Para o ótimo entendedor, meia palavra lacra

As meias palavras dizem pouco, mas talvez o suficiente

Para bom entendedor, a palavra não dita não basta
Para o ótimo entendedor, a palavra silenciada rasga
Para um exímio entendedor,a palavra negligenciada massacra

As palavras não ditas, dizem mais
Dizem que nada há a ser dito
ou que o pouco que há, já não tem sentido

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Limo



Tudo que via era limo sobre as pedras...

Pus no limbo o meu limo
Mantive as pedras
Estão lisas e limpas
Lindas!

Criei asas.
Asas leves e lépidas

Tudo novo
Mudo
de lugar
de postura
de sonho
de busca
de ânsia

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Enigmas




Chega de enigma
Pra que provar o que nem sabes se és?
Insígnias não me comovem
Palavras não me seduzem
Os efeitos do olhar produzem um resultado muito mais avassalador
as manhas dum bom carinho abrem caminhos que nem as tuas mandingas teriam coragem de competir
Saiba: as destrezas do chamego dão vazão a um mar de possibilidades em mim
e elas me fariam te mostrar tantas alternativas para uma, duas ou várias histórias tão alegres!
Não tem nada de inventada, nada inventiva a minha felicidade!
É construída, suada. Batalhada, sim, senhor!
Acaso pensas que foi com especulações que me tornei perspicaz? Foi indo fundo, meu amor. Fui indo e indo, até descobrir o que podia, até onde ia a tal ponte que eu avistava desde sempre.
Ah, não me diga que supunhas ser através de melindres que houvera encontrado meus prazeres? Conheci-os mergulhando neles!
Cada pedaço de mim, cada parcela das minhas tentativas – ainda que algumas parecessem absolutamente vãs – me trouxeram de volta a frente do meu espelho
E agora me apareces aqui, de joelhos, tentando entender de mim o que sequer sabes de ti
Por favor, olha-te

Chega de fingir para ti mesmo
Pra que abafar as vozes de teu peito, calar teus lábios e só usar teus pés?
Melodias que não ouves não te farão cantar
Arredias armadilhas, silêncios profundos não te farão amar
Os efeitos de uma vida trancada em si, não são nada além de solidão.
É só um estranho que não sabe com quem convive. Acha que vive só, até notar que o ser ao lado lhe mostra tanto de si, tanto se parece consigo, que esse outro é mais ele do que ele mesmo.
‘E como então não percebi que somos então espelhos uns dos outros’, se pergunta.
‘Para que tantas fugas, se todo tempo eu estou comigo? De mim não fujo’
E nota então que quanto mais depressa corre, mais o desespero lhe toma
Compreende que nem o rio mais caudaloso enche um deserto interno

terça-feira, 5 de abril de 2011

Por que da Farsa?


Se tem Lenine, se tem Martini, se tem comparsa, por que da farsa?
Se tudo passa, se nada dura, por que perdura o falatório?
Se há verdade, se há saudade, por que há dor?

E tem quem faça Amor
E tem quem sinta ódio
E tem quem cause náusea

Caso esbarre na comédia
Caso dance com o assombro
Caso lace o tombo na rédea curta

Sinta bem gostoso o gosto, o gozo da chuva
Sinta a água escorrendo na cara, na nuca
Sinta o suor pingando na curva

E me culpa, se quiser
E me alcance, se puder

sábado, 2 de abril de 2011

Mais que o Céu


De abstrato, já tenho o prometido céu
Não quero nada de papel
Não quero TV, nem PC
Quero o presencial
Cansei de músicas e poemas
Cansei de medos e dilemas
Quero o visceral

Anseio por tudo o que tenho direito
Percebo que tudo aquilo que tenho feito
só tem me afastado do que de fato mereço

Penteio os cabelos em frente ao espelho
e vejo o reflexo de um rosto cansado de desentender
percebo um olhar desanimado e incrédulo
noto um ombro pesado
Um sorriso frouxo arrisca sair de meus lábios
mas engolido pelas lágrimas, desiste de vingar

Então me ponho a rezar e depois gargalhar duma história tão patética
E ainda que me chamem de intensa, de maravilhosa e de poética
O que sinto é absolutamente incoerente com o que de mim se diz
O que tenho são lembranças duma ou outra cena feliz
que teimam em passear pela minha memória fingindo-se de história de amor
mas por favor, quem não vê que tudo não passa de fantasia barata?
Ilusões que me custaram caro ...
fantasiadas de sentimentos raros
Iludida por rostos comuns, palavras triviais, ideais banais?
Que coisa de principiante!
Quem vê já não é uma antiga errante
que diante de carinhas comuns já aprendeu o que falar,como lidar
Quem vê ainda é aquela menina diante de seu primeiro amante

Já não chora, porque aprendeu que lágrimas não secam dor senão para iludir
Já não ora, porque aprendeu que páginas viradas Deus não costuma acudir