quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Renascer




Senti como as céticas
criaturas duras

Sorvi sorrateiramente
as lágrimas que escaparam
às crenças e certezas dantes

Sorri delicadamente
enquanto bailava em sonhos
beijava segredos montanhosos
escapava de sussurros mentirosos
driblava intentos e inventos maliciosos

Silenciei por dias e noites
e então descobri
falar mais alto por dentro
o ouvir mais calmo, atento
um amor em sumo, alimento
para uma alma cansada e clara
afagada e calma, das que clama
por colo e cura, mistério e doçura
para ser mar, ser mais, ser cais, ter paz

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Luas



Cortina de fumaça
Névoa no mar
Abraço o barco
Desfaz-se em brumas
Disfarce entre algumas
palavras (bem) ditas
Relíquias salgadas
Reluzem no fundo
do oceano do peito
Ar rarefeito
Fogo perfeito
Terra longe do céu
da tua boca
da tua pouca
paciência para luas

Julia Souza da Silva

Foto: Allan Weber
www.facebook.com/AllanWeberPhotography




quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Palavras



Palavras são larvas
que corroem a carne
das relações
das intenções
das interpretações

São lavas faiscantes
a percorrer entranhas
a socorrer lancinantes
desejos e pudores, dores
e acertos, certos e desertos
de sentimentos. Fingimentos

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Esquento (C)Orações



O dendê que ferve
por aqui serve
para refletir

Não pense ser ira
O que é lucidez
em roupagem
de Força 
e determinação

Não dispense
meus argumentos
ardidos, áridos, ácidos
Eles soam quadrados
aos ouvidos rasos
mas creia:
são pura Oração!


sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Com Conchas



Eu tenho uma concha
Uma colcha de retalhos inteiros
Uma coxa de contornos verdadeiros
Costurada por amores e pelos e peles

permeada por pérolas, musgos e testes
de força e vida e sais
sons, sonos e sonhos
me desvendam
me despertam
interpretam
minha liquidez

Rara fluidez
resta aos mortais,
rezam as lendas
enquanto somem

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Derramando-me


Circula em mim a seiva humana
a fonte da vida, a água bebida
Sopros de força embebidos
em dulcíssimo mel
melam e molham
os lábios ávidos
por sonhos

Ponho sons
entre letras
e descubro facetas
ocultas há milênios
Sou minha deusa, meu gênio

segunda-feira, 2 de junho de 2014

(En)Canto da Lagoa



A Lagoa entoa
seus cânticos
românticos
Hipnotizada
honro e ouço
seu chamado
Faço-lhe juras:
Em breve seremos
Unas, minha amada


[Foto da Lagoa da Conceição (Florianópolis/SC)
Cedida pelo fotógrafo Allan Weber]