segunda-feira, 31 de março de 2014

Poema de Outono



E então é chegada a hora de celebrar o outono
Visto-me apressada e piso onde tudo é sono
Vago por vales e só vejo lampejos de cor
Saltito por sobre folhas crocantes
e cada passo soa errante
Sinto-me um tanto morta
E o que importa?
Sou caminhante

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Meu Carnaval


Não sou boa de carnaval
Opto pela alegria real
Olho para a fantasia
com desconfiança
Ouço passos de
outra dança!

Minha aliança
é com o profundo
contentamento transbordante

Minha herança
é outro tesouro: ouro
contido nos baús da verdade

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Transbordo



Me traz paz?
Mas traz mais.

Meu transbordar
Me transforma
Em sedes
Em redes
E teias
E veias
Águas
E areias
Móveis ou movediças
Pontes elevadiças

terça-feira, 15 de outubro de 2013

(Em) Carne Viva


Eu sou forte, inteira, verdadeira
Não levo jeito para freira
e ninguém me freia

Sou rezadeira, benzedeira
rendeira das minhas histórias
cozinheira de minhas memórias

Eu sigo para o norte,mas venho do sul
Não temo a morte, mas honro a vida
Não creio em sorte,mas nas acolhidas
nas estradas e caminhadas escolhidas

Sou filha do vento
Sou amiga da Lua
Sou vida, alimento
Estou em carne viva
sou assim, carne crua

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Renovando



E assim, de não em não
Fui descobrindo meus 'sins'
E enfim, de grão em grão
Fui despedindo meus fins
propondo-me
a novos começos
a novos tropeços
a novas de mim!

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Manto de Mar

Queria ser peixe,
nasci quase mulher
Nasci de uma mulher
para ser mulher inteira
quem pudera, uma sereia...
Transformar-me em peneira
onde perpassassem emoções
luzes, cores e lágrimas salgadas

Despertei com uma cauda
tão linda e longa e reluzente
Certamente me fez diferente
algo desajustada ao ambiente
que me (a)cerca e me oprime
não me vê certa, e me reprime

Desaguar aos pés do mar
é meu consolo
meu sopro
meu canto
meu manto
meu encanto: Odoyá


(In)Verdades Mentais


Que mania temos de querer certezas
De julgar com espertezas da mente
o que pensamos entender

Que maneira temos de querer proezas
De juntar resultados e respostas
De manter os pés no chão
Se não nos permitimos
O vão, o belo, o vago

Que parte nos cabe em nossa própria história
Que lembrança caberá ao fim dos dias na memória
Recordaremos os momentos ditos, ou os que sentimos
Reinventaremos as partes faltantes com verdades ou mitos?