quarta-feira, 26 de junho de 2013

Formas Quentes


Imersa em água quente
Molhando desejos latentes
Amornando ideias ardentes
Acalmando doçuras decentes
que descem por todo o corpo

nem sei se se estou vivo ou morto
se o banho é frio ou morno
agora que sinto e sofro

Sou um corpo amorfo
Um gato, um mofo
na parede fina
da escada

A estrada
da vida
ferida

A passagem
secreta
interna
da perna
que o tempo
sempre passa

terça-feira, 25 de junho de 2013

Meu Império: Mistério


Entre mistérios e sortilégios
Abusos e abstinências
procrastinações
e lamentações
construo meu Império
Sem impropérios
futuros ou pretéritos,
meu encanto é o Presente.

Há quem tente me dissuadir
ludibriar e persuadir
com jogos ardis
olhares sutis
Tudo em vão

Meu chão é flutuante mas firme
Meu pão é inebriante mas vive
entre corpo e espírito
mente e intuição
verdade ou não
construção

Cansaços e Espaços


Aparentemente cansada,
estou é exausta
Sou incauta
incandescente
indecentemente
apaixonada por tudo e nada

Uma fagulha,
Uma faísca
Uma pista
é o que basta
para a busca

Uma brusca mudança
Uma vasta lembrança
Uma fada, uma trança
Um fado, um bom samba
o que sobra das sombras
das nuvens negras no céu
de meu misterioso véu cinzento

terça-feira, 28 de maio de 2013

Onde Aportas Há Portas?

Sou tudo o que sinto
Nem tudo demonstro, minto
Silencio cantos e pontes e montes
de mim, de tudo o que posso, do que é nosso
Sou várias de mim
Nem todas eu gosto, acostumo
Saúdo prantos e cores e amores
enfim tudo cabe, tudo abre as portas afins

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Vagando














Levou suas mãos à cabeça e pensou:
"Já não sou a mesma!"

Sussurrou ao pé do ouvido do vento:
"Já não temos tempo!"

Serenou pés e pretensões
Aquietou corações
Sossegou ilusões

Salteou por entre dores
Saboreou seus anseios
cheirando à mato
E viu que, de fato
O mundo, o Mago
É solitário e vago

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Casto e Vasto Amor


Casto e vasto
Sentimento
Raro e raso
Entendimento

Sem lamento,
Aguento o torpor
que me invade e inquieta

Deixo a porta aberta
“Entra, brisa do amor!
Me toma, me desperta!”

Sem tormento
Alimento o calor
que me faz melhor
e maior que o medo

quarta-feira, 27 de março de 2013

Laços e Linhas



Vem logo e desamarra o laço!
Já não serve este cansaço
que toma meu corpo
e meu espírito

Vai logo antes que suma o traço
a linha, o fio que corta
a divisória desta porta
o meu vazio