segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Adeus, Inertes



Arranca dos cascos e pés
o que não pode tirar d'alma
Arrebenta ondas e correntes
observa erros tão frequentes

Astuta, cavalga pela beira, rumo ao fim
Ávida por vida plena e doce e farta
Abandona o que não serve,
ao que não ferve

terça-feira, 23 de julho de 2013

Fêmea



Não me diga que tua liberdade
Não se aplica aos teus lençóis
Que tuas luas e sóis
Dependem de homens
de nomes e sobrenomes

Não me diga que te sentes pouco
Que sentes oco o coração
Pois não tens namorado

Não me diga que precisas de outro
Que te complete, que te cubra
Que te cumpra promessas
Que te culpe e cobre

Não me dita se te sentes puta,
Pobre mulher
se não sabe quem é
se não sabe o que quer

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Formas Quentes


Imersa em água quente
Molhando desejos latentes
Amornando ideias ardentes
Acalmando doçuras decentes
que descem por todo o corpo

nem sei se se estou vivo ou morto
se o banho é frio ou morno
agora que sinto e sofro

Sou um corpo amorfo
Um gato, um mofo
na parede fina
da escada

A estrada
da vida
ferida

A passagem
secreta
interna
da perna
que o tempo
sempre passa

terça-feira, 25 de junho de 2013

Meu Império: Mistério


Entre mistérios e sortilégios
Abusos e abstinências
procrastinações
e lamentações
construo meu Império
Sem impropérios
futuros ou pretéritos,
meu encanto é o Presente.

Há quem tente me dissuadir
ludibriar e persuadir
com jogos ardis
olhares sutis
Tudo em vão

Meu chão é flutuante mas firme
Meu pão é inebriante mas vive
entre corpo e espírito
mente e intuição
verdade ou não
construção

Cansaços e Espaços


Aparentemente cansada,
estou é exausta
Sou incauta
incandescente
indecentemente
apaixonada por tudo e nada

Uma fagulha,
Uma faísca
Uma pista
é o que basta
para a busca

Uma brusca mudança
Uma vasta lembrança
Uma fada, uma trança
Um fado, um bom samba
o que sobra das sombras
das nuvens negras no céu
de meu misterioso véu cinzento

terça-feira, 28 de maio de 2013

Onde Aportas Há Portas?

Sou tudo o que sinto
Nem tudo demonstro, minto
Silencio cantos e pontes e montes
de mim, de tudo o que posso, do que é nosso
Sou várias de mim
Nem todas eu gosto, acostumo
Saúdo prantos e cores e amores
enfim tudo cabe, tudo abre as portas afins

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Vagando














Levou suas mãos à cabeça e pensou:
"Já não sou a mesma!"

Sussurrou ao pé do ouvido do vento:
"Já não temos tempo!"

Serenou pés e pretensões
Aquietou corações
Sossegou ilusões

Salteou por entre dores
Saboreou seus anseios
cheirando à mato
E viu que, de fato
O mundo, o Mago
É solitário e vago